O rio fundo da vida, revolto e maternal, me transborda as novidades
Encharco os pés num gostar tranquilo
Não penso mais em precipitar
Encharco os pés num gostar tranquilo
Não penso mais em precipitar
As margens de mim já não cabem mais
E me dói um pouco crescer pra sempre
Ao mesmo tempo que me alivia
poder estar distante de antes
Finjo uma leveza que também é minha
Mas que se esconde quando te ve
Me preocupam menos as coisas todas
E já não me inquieta mais tanto a incerteza
Sonhei com você do jeito que você é, quase não era sonho
Acordei sorrindo, sofrida
Sonhei que era muito muito fácil
E que eu me deixava viver
O tempo ainda me olha, ansioso
Do espelho do meu banheiro quando bate sol
Da grade do meu vizinho da frente
Do outro lado da vida
Hoje, amanhã e semana passada
Mas hoje eu cantei na cozinha
E não andei pesada quando saí
Me cansou menos falar do que me falta
Lembrei da gente nas ladeiras de madrugada
Hoje eu dormi a noite inteira
Aceitei um pouco o agora da vida
E nem acordei pra fazer xixi
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