domingo, 1 de maio de 2022

Desconforto

Subi num pé de demora e não soube mais descer
Trouxe pra casa um incômodo pesado
Trambolho, desajeitado
Me enrosquei com umas dúvidas difíceis de soltar
Me vesti de um vestido apertado, quase não dá pra respirar

A ignorância, de pernas cruzadas, me espera amanhã
No quintal
Num sofá de três lugares
Nos olhos escuros de um senhor devagar na rua
Comprida, calma, persistente 

No momento em que eu digo que não pras coisas
Quando eu deixo de crescer pra continuar aqui
Quando eu deixo de continuar pra viver em mim

Empurro pra longe toda a potencialidade de ser

No sol, as fragilidades marcadas que nem limão
Em mim, as faltas expostas numa rotina sem fim

Durmo e acordo com um desconforto pontudo,
feijão debaixo dos mil colchões 
Acordo e sorrio aos amores futuros,
esperança de quase certeza 
e vontade a vida toda


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