segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Flor de jornal

Ninguem pediu os mil palcos de barro ou que eu acreditasse de dia e de noite. Nao foi choro só de teimosia, foi mentira de andar lá mais no meio do nosso vazio em construção. Eu nao queria meu tempo parado, sorriu com um só pouco de sim.
Que voce nao saiba e saia e passe, nao durma e chore. De alegria. Menino, o normal é da gente sumir da gente, querer querer. Mais normal é que a gente durma e nao mais encontre corda e pombo correio de nao deixar esquecer, um e outro, de se acostumar. Voce só faz que nao disse, perigo menino, mas disse tudo e ja brincou sem falar.
Nao ajoelharia à reza bruta, esquisita, mal dita, curta e amadurada. Eu nao disse os meus dias e tentei mais abraços. De tanto pensar, pensei em nem me lembrar de despertar na hora certa e levantar desse chão nosso, d'um pouco de céu.

domingo, 9 de junho de 2013

Buraco branco e preto

Benita, bem busquei um batuque esquisito, bendita bondade do bom peregrino. Bebi da verdade da barbárie, baderna, bacharel do sonho dos bebados de dia e noite. Bati com verbetes de bar e burbúrios, banzé de barbante, banquete divino, de vinho, de bel. Eu, barroco, lambuzado de céu, barulhento até chover. Berrar de beber, encantar os sols.
Eu queria escrever prosa finita, de tinta e de cor com peso de amanha. Magoar as terras de leviana, esquecer de orar de desamor da vitória. Li nuns mares a fantasia, fugi com os outros dias pr'outro alguem. Eu sorri com os olhos à beirada da velhice, dormi com as dobras dos anos além.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Meio burca de nunca ser

Só de dizer que não se soube encontrar eu logo vi, a gente tinha o rei na barriga. Ninguém sabe de nada das pedras la do alto. O tempo caminha com os pés na cabeça, cria e desvive os dias e não esquece que o vento leva o que a gente não amarra no chão.
De todas as vezes, mentiu pros ventos. Disseram que era paz, mas sem sair da vida. Chorou à noite por rezar o dia inteiro e, de mil em mil tempos, sorriu só sem querer.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dia de 7 cabeças

E se a gente passa sem pensar em nada, sera que passa o tempo na gente? Que nem dia e brincadeira me conseguem ficar sem pensar nas vermelhidoes. Eu fazia, cortava, jogava e fazia chover no proprio encanto. Eu pisei nas manhãs sem esperar sentir chegar; nada. Olhei os versos dos teus dias, descansei nos olhos do teu jeito de me acelerar. Fantasmas os meus, de anos sem viver ensaiando pro quando a vida cresce e pára, disfarçada, cutucando com vara curta, vara de espetar.

sábado, 9 de março de 2013

Doença, amor

Um dia ele passou a enxergar só com os olhos. Ficou de ponta cabeça, o mundo. Dias por noite, fantasia.
Tanto faz se voce nao vem mais, Maria ja nao conheceria os teus dias, ja nao cantaria mais a tua folia de, talvez um dia, saber voltar. E, de tolice, nao te soube achar.
Nao foi com a sua cara, nao é da sua rua, nao te sabe responder. Voce veio de repente, meio a meio, do jeito que faz sujeito qualquer de curioso. Nao pediu, só sim sim sim, engasgada de surpresa ela era só tagarelice.
Lhe roubou o telefone, interesse. Nao sabe mais teu nome, nao sabe a casa e a tristeza. No tempo, ela perdeu a vaidade de sonhar a si, se acostumou com o teu ninguem. Nao queria presente algum, mas ser sensivel de perder pros meses e nao chorar mais, nunca mais, mais, nunca.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dos olhos d'água

- É, ao mesmo tempo que tem, nao tem.
- Os fios d'agua já nao incomodam mais?
Nao precisou da morena e nem do jardim, fez tudo com proprias maos. Sofreu mais de tres vezes e se foi cansar no rio azul. Brincou com os olhos n'água de pescar romance e correu de si na véspera do sucesso.
Eu olhava de quina com jeito de gente grande e ele nunca sorriu.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Maré de azar

Passou por essas bandas, arrepiada de amor. Ela foi toda a vida, descendo a avenida de passo e meio da Rua da Noite e, de vazio na cabeça, cantou de brincar o choro e fez neblina do raiar do dia.
Ora veio toda toda, salgada. Ela contou que era uma quase solidão, devaneio de gente maluca, de sonho. O marinheiro chorou até o amanhecer. De tristeza, não voltou a tempo, não olhou o céu. Afogou seus dias nos rios d'então e, de pobreza mais mundana, se foi deitar no fundo do mar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Jornal passado

Se fingiu de tua e fui até la procurar. Pelas portas e as janelas, vento frio.
Ah, meu bem, mas não ha maldade no teu coração de moço que me faça mais insistente do que o desdenhar dos passos mansos, pelas nossas manhas, em dias de outro amor. E dos passantes no meu sonho, fez encanto e alaranjou todas as vidas das manhãs de sexta-feira, até o final, amor.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Aeroplano

Trapaceei em quase todos eles. Em tempo de correr a vida, ele te deixou levar. Nunca vi voar tao pra lá de arranha-céus, nunca te vi tao assim cheio de si.
Andaram separados por aí; mal souberam, mas eu sofri por bem. Do lado de lá corri em sonho, de cá já nao vi mais nada. Vi pintura nos borroes de tinta doce do teu  retoque final de arte, meu sol. Guardou segredo, mas o tempo foi.
Nao deixou passar.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tsé-tsé

Voce me pintou o quarto de céu, pintou o dia de poesia e nao veio mais. Me fez o tempo correr pelas pernas e eu fugi de mim. Me assoprou um verso do avesso e eu me desmanchei em nó. De tanto querer voar a sorte de um peteleco só, tropecei no teu verde e, só aí, caí em mim.