quinta-feira, 19 de setembro de 2019

As coisas, todas elas

Eu sou um bando de borboletas barulhentas e descuidadas, esbarrando umas nas outras
Sou o choro da vizinha envelhecida que viu o filho partir pra longe de si
Sou a facilidade que as pessoas tem de esquecer o nome dos outros
E o riso raso de quem não sabe nada e de ninguém
Sou as folhas de um arbusto jovem com pretensões de uma árvore troncuda

Posso ser o vento que leva os pássaros pra não sei onde,
pra onde eles querem ir
E um pula-pula colorido que faz voar as crianças felizes, pelos ares de mim
Eu sou um tanto de coisas vãs e imprescindíveis,
abstratas e bonitas e que as vezes não se pode entender

Sou tudo o que fui e a potencialidade do que ainda não cheguei a ser
Eu sou o tempo que eu preciso pra me esparramar no céu, as folhas todas verdinhas
E me visto de cor, inconstante e apaixonada,
Pra me encontrar qualquer dia
Enorme e primaveril
Cheia de mim


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