Eu me tento entender e me perdoo os pesos, as faltas, a insensatez
Me quero sã e perto de mim
Quero, a mim, mais do que nunca
Eu canto nas manhãs e quando estou só
Nos dias mornos e na rua acelerada
Estou mais em mim do que o normal
E quero mais do que antes
Me carrego no colo, os olhos cansados de tanta perda de tempo
Eu quase nunca preciso das coisas que eu invento
Quase nunca eu me perco e encontro tanto assim
Num dia ensimesmado do inverno, numa curva comum, no horário comercial
Eu me vi com a sensibilidade de ver os outros
E soltei os nós que me prendem os pés no chão, que me acomodam no fundo das coisas
Me encantei com a superfície de mim
e chorei, aliviada, os risos perdidos que deixei cair
Descobri que fui dias calmos demais e sentimentos preto e brancos,
Mergulhada numa vida pouca, em um eu encolhido e raso
Fui abismo e falta de ar,
De tanto correr atrás
De nada mais
Que eu
Nenhum comentário:
Postar um comentário