Penso nas pessoas
Amontoadas numa asfixia louca de dentro de si
Ensimesmadas numa distância funda,
distraídas do mundo real
A rua é proibida
O vento vem tentando soprar os soluços pra longe
Uma ignorância comprida atravessa as rotinas retorcidas
Cobre os olhos
Morde as unhas
Encolhe os ombros e a razão
Rima as coisas com saudade e não sabe mais aonde ir
Finge que não entendeu
Se enfia nas pessoas
As vidas enormes na televisão
Fazem a gente chorar
As pessoas pequenas nos números grandes
Já não são quase ninguém
Com as bocas congeladas num medo sem fim
Num escuro seco que não me deixa sentir
Numa peneira do tamanho dos brancos, verde e amarelos
Os números do jornal não brincam mais
E as caras feias e invisíveis
murcham e somem nas filas do céu
Li um trecho de manhã,
Ri sem perceber,
Almocei com uma fome de ontem,
Escrevi caída em mim
A história é uma loucura
O deus de vocês é imperdoável
A vida é tão importante que dói
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