Foi pouquíssima quando da despedida. Esvaziou os olhos como se para combinar com o sorriso raso que seria seu a partir de então. Ela passava por entre as pessoas, à salvo dos esbarrões sabe-se lá como, tal era seu grau de distração, observando as vitrinas quase como se para fingir a si mesma que todas as vidas podiam continuar parecendo, a ela, rotineiras, como sempre haviam sido e como haveriam de permanecer sendo.
Atravessando o parque cercado por uma fileira de jaqueiras tão imponentes que quase tinham vida própria, apanhou entre as mãos em concha um punhado de uma terra fina e pálida, tão frágil ao curso das vontades do vento que decidia seu destino por entre as estradas do ar. Sentada na terra com as pernas cruzadas e apoiando-se em uma das raízes centenárias que mergulhavam no chão, viu os grãos se desvencilharem da breve prisão pelas frestas entre seus dedos infantis.
Formidável como as coisas se vão tão depressa.
Ótimo texto
ResponderExcluirBrigada, Evandro! Saudades
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