Eu sou duas partes de mim que, desesperadas, desconversam. Eu sou meio do caminho entre o vir e o ser. Vez ou outra me pintei de azul pra combinar mais com o meio a meio, mas, de tanto ser metade, acabei inteira duas vezes. Os meus pólos, meio dia, me convencem de me embriagar de tanto avesso, de vento.
Isso é só mais um porquê da vida chorar pelo mar.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Narrações da vida divina de Aurora desaparecida
Era um senhor enjuvenecido, de braços magros e pernas fortes, marcado pelo privilégio de ser quase santo e com os olhos tão profundos que mal enxergava o mundo real. Um dia tinha aparecido com uma filha num dos braços, mergulhada entre treze mantos diferentes e, só de se olhar para ela, já se sabia que ia ser a moça mais bonita do mundo. Ele nunca revelou a ninguém seu nome e ninguém sabia nem se o tinha se esquecido de escolher, mas foi de Aurora que começaram a chamar a menina de cabelos cor de cobre que parecia mais ter nascido dos céus.
Perdida nos misticismos da perfeição, Aurora cresceu confusa e com o costume de andar na ponta dos pés. Todos a observavam bailarina desde os seis anos de idade, mas viam a estranheza do hábito como uma manifestação, de dentro pra fora, de sua leveza interior.
Parecia que desapareceria no ar a qualquer momento, translúcida às realidades, tal era a perfeição inquietante de seus gestos de outro mundo.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
O covarde
Eu encontrei um lago mergulhado nas minhas confusões, com um bote salva-vidas furado e um bocado de socorros surdos. Pulei com susto de tocar o chão: era rasa a minha curiosidade caolha, a tatear o mundo com a ponta dos dedos, exausta de ver pouco e de pouco saber.
De cabeça pra baixo, inventei uns milagres de respirar na água da vida e quase nadei até o outro lado, não fosse o peso na consciência de abandonar o mundo real.
Gente fora d'água, eu era só e nada mais; travestido de incertezas coloridas, com cara cinza de rotinas murchas.
Fui fumaça e desequilíbrio nas paginas cruas de todos os meus romances. Dividido entre vícios e amores indecisos, fugi do mundo pra dentro de mim.
De cabeça pra baixo, inventei uns milagres de respirar na água da vida e quase nadei até o outro lado, não fosse o peso na consciência de abandonar o mundo real.
Gente fora d'água, eu era só e nada mais; travestido de incertezas coloridas, com cara cinza de rotinas murchas.
Fui fumaça e desequilíbrio nas paginas cruas de todos os meus romances. Dividido entre vícios e amores indecisos, fugi do mundo pra dentro de mim.
sábado, 3 de maio de 2014
Correspondências inconvenientes de um amor que se deixou levar
Foi pouquíssima quando da despedida. Esvaziou os olhos como se para combinar com o sorriso raso que seria seu a partir de então. Ela passava por entre as pessoas, à salvo dos esbarrões sabe-se lá como, tal era seu grau de distração, observando as vitrinas quase como se para fingir a si mesma que todas as vidas podiam continuar parecendo, a ela, rotineiras, como sempre haviam sido e como haveriam de permanecer sendo.
Atravessando o parque cercado por uma fileira de jaqueiras tão imponentes que quase tinham vida própria, apanhou entre as mãos em concha um punhado de uma terra fina e pálida, tão frágil ao curso das vontades do vento que decidia seu destino por entre as estradas do ar. Sentada na terra com as pernas cruzadas e apoiando-se em uma das raízes centenárias que mergulhavam no chão, viu os grãos se desvencilharem da breve prisão pelas frestas entre seus dedos infantis.
Formidável como as coisas se vão tão depressa.
Atravessando o parque cercado por uma fileira de jaqueiras tão imponentes que quase tinham vida própria, apanhou entre as mãos em concha um punhado de uma terra fina e pálida, tão frágil ao curso das vontades do vento que decidia seu destino por entre as estradas do ar. Sentada na terra com as pernas cruzadas e apoiando-se em uma das raízes centenárias que mergulhavam no chão, viu os grãos se desvencilharem da breve prisão pelas frestas entre seus dedos infantis.
Formidável como as coisas se vão tão depressa.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Por de trás do céu
A qualquer momento você vai voar e eu vou ficar esperando, com a saudade envelhecida. Vai ter sido como abraçar o vento e tentar fazer com que ele goste daqui. Tomara que eu lembre de você como as manhãs.
Um dia eu vou parar de chorar e escrever um pouco menos. Um dia, quem sabe, eu te vejo sorrindo do outro lado das minhas lembranças. Eu queria te ter pintado nos meus poemas alegres, mas de repente você virou desespero.
Chorar a distância não faz nada bem quando se faz do gosto, vontade de amar.
Tomara que eu não queira mais te achar e que você fuja das páginas dos meus poemas com medo de me entristecer.
Quem é você?
Quantas vezes eu choro sozinha, clandestina na minha solidão. Fiquei rouca de tanto gritar, atrás dos ecos do meu silêncio.
"A bell will ring when from nothing something comes"
Eu nunca vi ninguém morrer de desgosto.
Um dia eu vou parar de chorar e escrever um pouco menos. Um dia, quem sabe, eu te vejo sorrindo do outro lado das minhas lembranças. Eu queria te ter pintado nos meus poemas alegres, mas de repente você virou desespero.
Chorar a distância não faz nada bem quando se faz do gosto, vontade de amar.
Tomara que eu não queira mais te achar e que você fuja das páginas dos meus poemas com medo de me entristecer.
Quem é você?
Quantas vezes eu choro sozinha, clandestina na minha solidão. Fiquei rouca de tanto gritar, atrás dos ecos do meu silêncio.
"A bell will ring when from nothing something comes"
Eu nunca vi ninguém morrer de desgosto.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Te tropecei no ar, você todo de azul
Todo dia eu sonho contigo, mas só acordada mesmo
Todo dia eu te quero comigo, eu nas suas mãos
E espero, eu nos meus segundos,
meu tempo de te ver chegando, poder te reconhecer.
Eu quero brincar com os seus dias, só pra saber mais de você. Queria vestir a nossa história, nunca mais desabotoar. Queria sentir suas manias e despedir essas distâncias
Eu quero te ver quando eu acordo e só pensar meus passos por cima dos seus
Quero te ver na contramão, a gente sem desencontro
Desencantar a fantasia e poder viver só verdades nuas
Não quero que você esqueça, tenha lá seu novo amor. Quero que você responda sempre, pra eu só chorar sem motivo nenhum
Que desperdício os nossos dias passando, assim, tão devagar
Eu não devia querer que o tempo todo voasse, te arrancar aos poucos de mim
Não devia te ter sempre tão perto, nas minhas memórias de papel
Eu passo a noite aprendendo poesia, ver se gosto de pensar n'outros ares
Eu subo e desço nas minhas ideias,
Você tão alto de
Alcançar
Todo dia eu te quero comigo, eu nas suas mãos
E espero, eu nos meus segundos,
meu tempo de te ver chegando, poder te reconhecer.
Eu quero brincar com os seus dias, só pra saber mais de você. Queria vestir a nossa história, nunca mais desabotoar. Queria sentir suas manias e despedir essas distâncias
Eu quero te ver quando eu acordo e só pensar meus passos por cima dos seus
Quero te ver na contramão, a gente sem desencontro
Desencantar a fantasia e poder viver só verdades nuas
Não quero que você esqueça, tenha lá seu novo amor. Quero que você responda sempre, pra eu só chorar sem motivo nenhum
Que desperdício os nossos dias passando, assim, tão devagar
Eu não devia querer que o tempo todo voasse, te arrancar aos poucos de mim
Não devia te ter sempre tão perto, nas minhas memórias de papel
Eu passo a noite aprendendo poesia, ver se gosto de pensar n'outros ares
Eu subo e desço nas minhas ideias,
Você tão alto de
Alcançar
quinta-feira, 13 de março de 2014
Que o vento não diz
Eu só
Quero meu tempo
Colado no seu
E talvez viajar, no
Teu
Azul mais
Quantas vezes a
Gente se permitir
Só queria palma com palma, eu no teu olhar; chorar só pra você e não mentir de olhos fechados.
Loucura é que eu prefira chorar meus dias até você à não saber o que pensar. O nosso ontem vira amanhã?
O depois é tão importante que as vezes vem antes. Se a gente não acha nada, quem sabe o tempo também não acha nada da gente...
Se eu cair na gandaia, você vem? Vem comemorar nossa solidão? Só queria sonhar contigo, sonho miudo com voz e violão. E eu ando estranhando, de tempos pr'aqui, o tanto vazio das ruas em mim.
Todos os dias eu faço poema, tentar te ter menos perto do fim.
Quero meu tempo
Colado no seu
E talvez viajar, no
Teu
Azul mais
Quantas vezes a
Gente se permitir
Só queria palma com palma, eu no teu olhar; chorar só pra você e não mentir de olhos fechados.
Loucura é que eu prefira chorar meus dias até você à não saber o que pensar. O nosso ontem vira amanhã?
O depois é tão importante que as vezes vem antes. Se a gente não acha nada, quem sabe o tempo também não acha nada da gente...
Se eu cair na gandaia, você vem? Vem comemorar nossa solidão? Só queria sonhar contigo, sonho miudo com voz e violão. E eu ando estranhando, de tempos pr'aqui, o tanto vazio das ruas em mim.
Todos os dias eu faço poema, tentar te ter menos perto do fim.
terça-feira, 11 de março de 2014
Poema de carnaval
Eu gostei do teu azul
Segui, só de pensar
Minha mão ficou na tua
Já não posso mais cantar
Passei num sonho que a gente não brindava mais as coisas, só pessoas
Teve promessa e eu chorei; de transbordar silêncio
Eu não pensei em deixar mais, eu não quis te ver voar, não quero mais chorar dormindo
Silencio de esperar seu cheiro sumir e de passar o tempo, ver você me desconhecer
Se eu cantar será que você ouve? Será que você ouve se eu mandar alguns carinhos?
Vou te escrever um par de valsas pra gente dançar sozinho, você pensando em mim
Vou te lembrar de todos os dias da maior semana do mundo, que você deixou pra mim
Por fim, sorrir em qualquer lugar, quando eu souber te encontrar
Segui, só de pensar
Minha mão ficou na tua
Já não posso mais cantar
Passei num sonho que a gente não brindava mais as coisas, só pessoas
Teve promessa e eu chorei; de transbordar silêncio
Eu não pensei em deixar mais, eu não quis te ver voar, não quero mais chorar dormindo
Silencio de esperar seu cheiro sumir e de passar o tempo, ver você me desconhecer
Se eu cantar será que você ouve? Será que você ouve se eu mandar alguns carinhos?
Vou te escrever um par de valsas pra gente dançar sozinho, você pensando em mim
Vou te lembrar de todos os dias da maior semana do mundo, que você deixou pra mim
Por fim, sorrir em qualquer lugar, quando eu souber te encontrar
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Birds of a fether
Tantas curvas que as esquinas já não acompanham mais. Fui pouquíssima quando da tempestade, me virei em nó, desviei em mais. Eu me vesti toda de ti, sorri teu céu e eu nunca soube. Abri as horas por todos os séus azuis e não queria mais sua sede, eu não quero mais os seus sonhos, não vou querer te ver chegar.
Me amanheceu em chão, só de passagem. Nas terras de fantasia já não se pode mais sonhar. Todo o meu caminhar me escorreu pelos pés e quando o moço chegou só tinham flores. Respirar era só pros poucos e ninguém mais pensava em sumir.
Me amanheceu em chão, só de passagem. Nas terras de fantasia já não se pode mais sonhar. Todo o meu caminhar me escorreu pelos pés e quando o moço chegou só tinham flores. Respirar era só pros poucos e ninguém mais pensava em sumir.
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