sábado, 26 de março de 2011

Em um mundo à parte..

Enquanto cantava, ela dançava e girava de forma suave, com movimentos leves e graciosos que passavam confiança e contagiavam o ambiente, deixando-o mais alegre, mais puro. Enfeitiçava os rapazes com seus olhares, verdes olhos que transbordavam desejo e ingenuidade. No ritmo da propria melodia que saía de seus grossos labios rosados, ela saltitava por entre as pedras e galhos que faziam parte da rotineira paisagem que era palco de seus mais preciosos sonhos.
O cantarolar do riacho se unia à sua doce voz, como um perfeito arranjo musical, capaz de curar as maiores desilusões que qualquer mero mortal ja pôde imaginar. Seus pequeninos pés tocavam o chao, que, por sua vez, aderia à maciez de sua pele e as pedras ja nao a pareciam machucar e nem mesmo os espinhos de alguns arbustos venenosos atrapalhavam sua dança.
Era como se ela nao fosse real, como se fizesse parte somente da imaginaçao de algum homem dotado de imensa criatividade, esperançoso de que um dia pudese encontrar uma figura que se encaixasse ou fizesse juz à imagem previamente criada pela mente de tal mortal.
Mas, de repente, foi como se a imagem da bela moça se desfizesse no ar e sua beleza se esvaisse, espalhando e instalando-se em cada flor ou folha de arvore, em cada grao de terra que moldava a estrada pela qual passava e como se todos estivessem protegidos pela bondade e graciosidade daquela ilusao; fazendo-nos cair em si e simplesmente conformarmo-nos de que havia sido, apenas, a idealizaçao de um ser perfeito, um protóitpo do que jamais poderia ser encontrado na natureza.

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