quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

As rupturas da vida e todo o peso do mar nos ombros

Eu estive sentada no fundo mar
Os sentimentos embaçados, afogando aos poucos
E me deixei sentir longamente
a correnteza de todas as minhas circunstâncias

Eu estive pensando muito em mim
e nas ingenuidades infantis.
Talvez tenha deixado passar
o dia de mudar o que eu não posso mais

Eu estive andando muito em ti
E as fragilidades me apertam até chorar
de dúvida e confusão
Estive parada desde sempre,
esperando tudo o que não tem espera

Não sei quando eu deixei de aguentar
O peso de todas as minhas escolhas
e passei a andar só
Não sei bem quando eu soltei a mão de vocês
Pra não me esconder em lugar nenhum

O meu agora é nadar daqui
E as ondas que me fecham os olhos
me levam em movimentos apressados
Pra tão longe quanto eu queira ir

O mar da vida, revolto e maternal, já não me leva mais
Eu sou água, tempo e movimento
aos poucos me deixando pra trás

Eu sou duas de mim, as vezes mais
Sou dilúvio em dias mornos,
o esforço do vento que empurra o cinza e a chuva
e amores o tempo todo

A questão é que eu aguento
Tudo
Até não aguentar

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