Não foi por pouco, nem de mentira
No meu choro só tem eu
e a angústia de todo o meu amor em si
Numa confusão de marés que me suspendem e bagunçam
Tenho um quarto de mim responsável, mãe de mim e de dois
Outro, órfã sem tragédia nenhuma
Um quarto com sol pela manhã, "mas a cozinha é muito pequena"
O último, em prantos e otimismos
O que eu sinto é que eu preciso sentir as coisas se resolvendo em mim e me fazer florir pra longe
Eu sou o desgaste dos pés descalços numa rua áspera e desconfortavelmente comprida
Numa ladeira constante que me dói a vida toda
Ando ansiosa nas mudanças em mim
Apoiada nos amores em ti
Um dia eu me perdi da minha mãe
E de mim, logo depois
E fui me esconder por um tempo
Atrás de tudo o que eu achava que preciso
Sinto doer os meus vazios, tapados de maturidade precoce e uma ausência constante, claustrofóbica
Acho que a agente aprende a ponderar a vida
E transborda menos por sofrimentos mansos
É que mágoa e amor não se anulam
E, rapaz, como eu amo além de mim
Me achei outro dia
E no dia seguinte, você
Por você ser a pessoa que me ama nas fragilidades
Por me cuidar por inteiro
E se deixar curar
Da vida toda que tem em nós
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