terça-feira, 22 de setembro de 2026

Despretensiosamente

Me parece às vezes que a rotina, áspera e familiar,
me embaça um pouco a sensibilidade
de perceber as belezas cruas das coisas banais

Por sorte - e com alguma frequência -,
respiros de uma poesia desavisada do dia a dia
me tiram o véu que cobre as sutilezas da vida

e dá pra voltar a sentir um pouco mais
e dá pra lembrar que posso viver os dias
e não o contrário
e dá pra me deliciar do espontâneo,
tão necessário quanto raro,
de uma coisa que puxa a outra

E me deixo surpreender com as cores, cálidas e inéditas, das tantas distâncias que se anda quando não se pretende chegar a absolutamente lugar nenhum