quarta-feira, 11 de março de 2026

Minha fé leviana e preguiçosa nas coisas

Sozinha numa inquietude familiar e inofensiva 
me atravessam os pensamentos tantos
E o cansaço que me fecha os olhos 
é o mesmo que me tira do papel as palavras precoces do que ainda ia dizer

Minha rotina é um bater de asas, apressado e urgente, de infinitas borboletas, se trombando toda vida
É como os passos firmes e ritmados de um sapateado até tarde, afoito e disciplinado
Como as folhas que se amarelam ainda nas árvores e já querem se deixar fugir
O dedilhar apressado e cuidadoso de quem aprende um instrumento novo no domingo
Ou a fé leviana com que se pula sete ondas no réveillon

Venho sentindo a pressa das coisas
e acabo vivendo um pouco nas conquistas que ainda não encontrei
Venho querendo mais do que penso que posso
e acabo por ter notícias boas 
Enquanto escovo os dentes pra sair,
Na segunda da semana que vem,
Num e-mail inesperado que nem sabia que ansiava,
Durante uma conversa preguiçosa com a minha mãe

Os dias têm sido uma confusão fértil e exaustiva e gostosa e exigente
da imensidão do que eu quero com tudo o que já venho sendo
Acordo cedo sem pensar duas vezes
E já vivo bem menos no amanhã

Um comentário:

  1. Se entendi bem.. é esse aí o paradoxo que vivemos diariamente né.. a necessidade e a pressa de viver o agora da melhor forma e o anseio pelas conquistas do amanhã.. gostei.. ;)

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