terça-feira, 23 de março de 2021

Transbordo de vez em quando

Quero poder agarrar o céu,
azul e cinza ao mesmo tempo
Mas não tão perto
pra não perder a graça

Quero me ter atenta
Mas só um pouco,
pra não morrer o a toa da vida
E andar descalça, descuidada do chão

Queria ter uma escada comprida, alta toda vida
Pra subir o quanto der
E ver de tudo miudinho
Perder o chão,
mas de propósito 

É que a gente se apressa nos dias e nas pessoas
E se demora nas coisas e nas dúvidas,
inúteis de não servir pra nada mesmo

Mas no fim me esparramo toda, eu nos meus caprichos
Me encaixo cada vez mais
no espaço que eu deixo pra mim

Não é que eu não saiba das coisas
Só não sei com certeza das margens de mim
E transbordo de vez em quando

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