Não foi por pouco, nem de mentira
No meu choro só tem eu
e a angústia de todo o meu amor em si
Numa confusão de marés que me suspendem e bagunçam
Tenho um quarto de mim responsável, mãe de mim e de dois
Outro, órfã sem tragédia nenhuma
Um quarto com sol pela manhã, "mas a cozinha é muito pequena"
O último, em prantos e otimismos
O que eu sinto é que eu preciso sentir as coisas se resolvendo em mim e me fazer florir pra longe
Eu sou o desgaste dos pés descalços numa rua áspera e desconfortavelmente comprida
Numa ladeira constante que me dói a vida toda
Ando ansiosa nas mudanças em mim
Apoiada nos amores em ti
Um dia eu me perdi da minha mãe
E de mim, logo depois
E fui me esconder por um tempo
Atrás de tudo o que eu achava que preciso
Sinto doer os meus vazios, tapados de maturidade precoce e uma ausência constante, claustrofóbica
Acho que a agente aprende a ponderar a vida
E transborda menos por sofrimentos mansos
É que mágoa e amor não se anulam
E, rapaz, como eu amo além de mim
Me achei outro dia
E no dia seguinte, você
Por você ser a pessoa que me ama nas fragilidades
Por me cuidar por inteiro
E se deixar curar
Da vida toda que tem em nós
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
terça-feira, 18 de setembro de 2018
A inconsistência das previsões e o sol em você
Percebi que sei mais das pessoas do que das coisas
E ando me equilibrando nas nuvens debaixo de mim
Num pêndulo desajeitado e otimista
Sorrio com os olhos densos de ti
Você me cruzou inteira, nós póstumos de amores frustrados.
Eu esperei parar de esperar que você ficasse e que as músicas não me tocassem tanto nos caminhos e tardes. E que eu fosse deixar te conhecer mais nos anteontens e que você não passasse a guardar as expectativas em mim. Eu esperei não te encontrar mais o olhar e te esquecer nas lembranças confusas das paixões interrompidas e, até, que você levasse consigo a angústia antecipada de toda a falta que podia fazer.
E eu não esperava que você se plantasse em mim e que eu cantasse pra te florescer.
Uma vez eu disse que sim e não parei mais
Numa curiosidade travestida de saudade, eu me deixei levar.
E que bom. Já pensou se a gente fechasse os olhos só pra não ver o nascer do sol?
E ando me equilibrando nas nuvens debaixo de mim
Num pêndulo desajeitado e otimista
Sorrio com os olhos densos de ti
Você me cruzou inteira, nós póstumos de amores frustrados.
Eu esperei parar de esperar que você ficasse e que as músicas não me tocassem tanto nos caminhos e tardes. E que eu fosse deixar te conhecer mais nos anteontens e que você não passasse a guardar as expectativas em mim. Eu esperei não te encontrar mais o olhar e te esquecer nas lembranças confusas das paixões interrompidas e, até, que você levasse consigo a angústia antecipada de toda a falta que podia fazer.
E eu não esperava que você se plantasse em mim e que eu cantasse pra te florescer.
Uma vez eu disse que sim e não parei mais
Numa curiosidade travestida de saudade, eu me deixei levar.
E que bom. Já pensou se a gente fechasse os olhos só pra não ver o nascer do sol?
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
A relatividade do certo e a beleza da dúvida e eu
No momento em que todo o resto sumiu e as pessoas e os sons e o mundo
Eu vivi só você
E entrei nas suas palavras,
Rodeada de ti
A ideia de que você me preenche de um gostar descuidado assusta e instiga e eu me encantei cinquenta e quatro vezes só no nosso anteontem
E daquele instante até muitos outros, até o dia seguinte, ela pensou em outras cinquenta e quatro mil coisas e sentiu todas elas com uma intensidade meticulosa e se agarrou a cada uma com uma nostalgia precoce e vontade de amar.
E daquele instante até hoje ela quase chorou de amor, por sentir coisas bonitas e ler nas páginas dos livros palavras que ela mesma poderia ter escrito. E lembrou dos carinhos com as pontas dos dedos, e sentiu tudo num sentir calmo e inevitável.
E eu juro que naquela quinta-feira eu achei que nunca fosse deixar de te desconhecer.
E pensar que eu te deixei entrar nos meus textos
Te fiz personagem em mim
E pensar que tudo o que eu quero é que dê certo
Eu vivi só você
E entrei nas suas palavras,
Rodeada de ti
A ideia de que você me preenche de um gostar descuidado assusta e instiga e eu me encantei cinquenta e quatro vezes só no nosso anteontem
E daquele instante até muitos outros, até o dia seguinte, ela pensou em outras cinquenta e quatro mil coisas e sentiu todas elas com uma intensidade meticulosa e se agarrou a cada uma com uma nostalgia precoce e vontade de amar.
E daquele instante até hoje ela quase chorou de amor, por sentir coisas bonitas e ler nas páginas dos livros palavras que ela mesma poderia ter escrito. E lembrou dos carinhos com as pontas dos dedos, e sentiu tudo num sentir calmo e inevitável.
E eu juro que naquela quinta-feira eu achei que nunca fosse deixar de te desconhecer.
E pensar que eu te deixei entrar nos meus textos
Te fiz personagem em mim
E pensar que tudo o que eu quero é que dê certo
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Basta eu
Eu quero bastar?
Quando foi que o meu gostar se deitou em você?
E que eu me conciliei com as inseguranças
Quando foi que me deixaram transbordar?
Fui inteira num só momento
Suas mãos a dançar em mim
E eu, colorida de ti
Quando eu deixo que os meus dedos escorreguem pelo teu nariz e os lábios e por toda a beleza que eu enxergo em você,
sou eu te deixando entrar
Eu sou o abismo que existe entre o amor e todo o resto
Eu posso ser nó e liberdade e poesia e exatidão
E posso ser eu
E tudo e nada mais
Quando foi que o meu gostar se deitou em você?
E que eu me conciliei com as inseguranças
Quando foi que me deixaram transbordar?
Fui inteira num só momento
Suas mãos a dançar em mim
E eu, colorida de ti
Quando eu deixo que os meus dedos escorreguem pelo teu nariz e os lábios e por toda a beleza que eu enxergo em você,
sou eu te deixando entrar
Eu sou o abismo que existe entre o amor e todo o resto
Eu posso ser nó e liberdade e poesia e exatidão
E posso ser eu
E tudo e nada mais
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Tudo o que é o amor
Eu me pus a pensar no afeto
e nos rios do amor, de um correr inconstante
Lembrei que não sei do tempo ou da exatidão
e que escrevo pelo simples querer
Eu me vi na outra margem
distraída a me acenar, meus olhos nos meus
E lembrei que tenho vivido muito em mim
e sentido as minhas verdades, um por uma
Eu vivo de acertos e dúvidas
e choro pelas pessoas
Choro por tudo o que falta
tudo o que eu não posso dar
E me consome a ignorância do amor
a me duvidar por inteiro
Minhas mãos foram dança
E eu inteira a me colorir
Vestida de leveza e de mim
E então tudo se esclarece.
Que alívio: o amor pode ser o que eu quiser.
e nos rios do amor, de um correr inconstante
Lembrei que não sei do tempo ou da exatidão
e que escrevo pelo simples querer
Eu me vi na outra margem
distraída a me acenar, meus olhos nos meus
E lembrei que tenho vivido muito em mim
e sentido as minhas verdades, um por uma
Eu vivo de acertos e dúvidas
e choro pelas pessoas
Choro por tudo o que falta
tudo o que eu não posso dar
E me consome a ignorância do amor
a me duvidar por inteiro
Minhas mãos foram dança
E eu inteira a me colorir
Vestida de leveza e de mim
E então tudo se esclarece.
Que alívio: o amor pode ser o que eu quiser.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Um flutuar translúcido e inquieto e atemporal
Era um rapaz alto e distraído e excepcional, mal andava com os pés no chão. E tinha o costume de pensar em coisas que as pessoas, geralmente, não se deixam pensar. Se debruçava, mentalmente, por cima dos montes de ideias a catar alguma que lhe tirasse o sono, extensa o suficiente pra distraí-lo por horas.
Não aguentava estar quieto, o sentir-se calmo lhe desconcentrava. Ele precisava das dúvidas e incertezas que nasciam dos novos pensamentos, como crianças pequenas que nunca saíam da fase dos "por quês", ou uma faísca inicial que movimenta toda a máquina do eu.
Um dia avistou, num canto de si, o tempo, tímido e impensado. Será que o tempo realmente passa? A vida, que se conta em dias e horas e anos, poderia ser contada de outro jeito? Suportariam, os seres humanos, enxergá-la como um desenrolar contínuo de acontecimentos, sem que se dividisse a rotina em qualquer intervalo de tempo? Haveria rotina?
A vida e as pessoas e ele próprio eram muito mais do que um somatório de dias e noites e tempo. Eram um todo de complexidades, um amontoado de sentimentos e racionalidades, uma sequencia de ligações umbilicais e amores em graus infinitos.
Como é bonito sentir coisas que não se pode explicar.
E chorou por alguns instantes. Não saberia dizer quantos, se desvencilhou dos minutos pra se agarrar às paixões e as vidas em si.
segunda-feira, 16 de julho de 2018
A simplicidade precoce de quase-amores infantis
Ela queria poder falar da simplicidade das coisas, da leveza que se tem diante de uma alergia pontual e desconsertante. Tentava compreender as frases de um livro em sua imensidão integral, imaginando o que teria levado o autor a escolher aquelas palavras no lugar de tantas outras.
Queria poder acariciar alguém que mal conhece, só pelo simples querer, ou beijá-lo nos olhos e nos ombros e nas orelhas, sem que isso parecesse esquisito ou romântico demais. Era uma questão de expressar-se plenamente o amor em si sem se preocupar com as construções sociais que tolhem as pessoas e as constrangem a um amar murcho e ensimesmado.
Além disso, ela costumava olhar as pessoas nas ruas e imaginar seus pesos e alegrias e toda a história que carregariam consigo, como uma enorme sombra colorida presa a seus calcanhares, um amontoado de sonhos e hábitos e vastidão. Quais seriam suas dores e amores? Teriam esses desconhecidos sensibilidade para compreender o olhar dela sobre eles? Poderiam eles sentir sua empatia?
As vezes ela sentia uma necessidade enorme de cuidar das pessoas; pegá-las pela mão e amá-las em pequenos atos, como na noite anterior quando conduziu um menino que vendia balas na rua até um restaurante e pagou-lhe as duas próximas refeições.
E, muito por isso, gostava de fazer carinhos. Simples assim, acariciava as pessoas de quem gostava, com delicadeza e empenho, como se querendo transmitir, através do toque, todo o afeto dentro de si.
Era um amar fácil e descuidado, como uma folha amarelada que se solta de uma árvore cansada e se entrega ao vento, dançarina pra longe dali.
Queria poder acariciar alguém que mal conhece, só pelo simples querer, ou beijá-lo nos olhos e nos ombros e nas orelhas, sem que isso parecesse esquisito ou romântico demais. Era uma questão de expressar-se plenamente o amor em si sem se preocupar com as construções sociais que tolhem as pessoas e as constrangem a um amar murcho e ensimesmado.
Além disso, ela costumava olhar as pessoas nas ruas e imaginar seus pesos e alegrias e toda a história que carregariam consigo, como uma enorme sombra colorida presa a seus calcanhares, um amontoado de sonhos e hábitos e vastidão. Quais seriam suas dores e amores? Teriam esses desconhecidos sensibilidade para compreender o olhar dela sobre eles? Poderiam eles sentir sua empatia?
As vezes ela sentia uma necessidade enorme de cuidar das pessoas; pegá-las pela mão e amá-las em pequenos atos, como na noite anterior quando conduziu um menino que vendia balas na rua até um restaurante e pagou-lhe as duas próximas refeições.
E, muito por isso, gostava de fazer carinhos. Simples assim, acariciava as pessoas de quem gostava, com delicadeza e empenho, como se querendo transmitir, através do toque, todo o afeto dentro de si.
Era um amar fácil e descuidado, como uma folha amarelada que se solta de uma árvore cansada e se entrega ao vento, dançarina pra longe dali.
sexta-feira, 29 de junho de 2018
O tempo em si
Eu sou um furacão
Revolto e instável toda vida
Me atravessam as alegrias,
Sem que eu deixe os orgulhos saírem
Desvairada pelas ruas
Por entre erros infantis
Cato tudo o que não é meu
Carrego, em mim, casas e vidas
Me descontrolam as incertezas
Sou metade paz, metade eu
Eu engulo a beleza e o cinza das coisas,
Num amor disforme do bom com o mau
Em mim se embolam os dias e as satifações
E já não sei sentir
Cambaleante e dançarina, me ocupam as dúvidas e os abraços
Num dia me canso dos rodopios
E caio em mim
Por que sou muito e tudo, e muito pouco
Eu sou o fim
e o começo de mim
Revolto e instável toda vida
Me atravessam as alegrias,
Sem que eu deixe os orgulhos saírem
Desvairada pelas ruas
Por entre erros infantis
Cato tudo o que não é meu
Carrego, em mim, casas e vidas
Me descontrolam as incertezas
Sou metade paz, metade eu
Eu engulo a beleza e o cinza das coisas,
Num amor disforme do bom com o mau
Em mim se embolam os dias e as satifações
E já não sei sentir
Cambaleante e dançarina, me ocupam as dúvidas e os abraços
Num dia me canso dos rodopios
E caio em mim
Por que sou muito e tudo, e muito pouco
Eu sou o fim
e o começo de mim
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