quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dos olhos d'água

- É, ao mesmo tempo que tem, nao tem.
- Os fios d'agua já nao incomodam mais?
Nao precisou da morena e nem do jardim, fez tudo com proprias maos. Sofreu mais de tres vezes e se foi cansar no rio azul. Brincou com os olhos n'água de pescar romance e correu de si na véspera do sucesso.
Eu olhava de quina com jeito de gente grande e ele nunca sorriu.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Maré de azar

Passou por essas bandas, arrepiada de amor. Ela foi toda a vida, descendo a avenida de passo e meio da Rua da Noite e, de vazio na cabeça, cantou de brincar o choro e fez neblina do raiar do dia.
Ora veio toda toda, salgada. Ela contou que era uma quase solidão, devaneio de gente maluca, de sonho. O marinheiro chorou até o amanhecer. De tristeza, não voltou a tempo, não olhou o céu. Afogou seus dias nos rios d'então e, de pobreza mais mundana, se foi deitar no fundo do mar.