quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Eu, hoje

Eu, hoje, acordei suja
da tua purpurina insistente
Que me colou na pele um mar cintilante de cor, vibrante de ti

Acordei quieta de pensar no ontem 
Numa melancolia lúcida e madura de saber que não posso estar
E daí chorei demorado, fantasiada de uma esperança urgente

Como se pra acelerar o processo inevitável de cura das dores do amor,
o vento, que corria apressado, me secava as lágrimas 
tão logo conseguiam escorrer por entre os cílios coloridos
e, então, era como se nem tivesse sido triste outra vez

A solidão, sabida da falta tua,
rodeada de carnaval,
Me fez lembrar que não sei brincar de mais ou menos
E a viagem até em casa nunca foi tão sóbria
pra me trazer de volta os pés pro chão frio e irregular da nossa verdade

Eu, hoje, acordei sua
Da tua presença oscilante
Que, esquecida, me cobre de uma saudade quase infantil
e me faz ficar