segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A relatividade do certo e a beleza da dúvida e eu

No momento em que todo o resto sumiu e as pessoas e os sons e o mundo
Eu vivi só você
E entrei nas suas palavras,
Rodeada de ti

A ideia de que você me preenche de um gostar descuidado assusta e instiga e eu me encantei cinquenta e quatro vezes só no nosso anteontem

E daquele instante até muitos outros, até o dia seguinte, ela pensou em outras cinquenta e quatro mil coisas e sentiu todas elas com uma intensidade meticulosa e se agarrou a cada uma com uma nostalgia precoce e vontade de amar.
E daquele instante até hoje ela quase chorou de amor, por sentir coisas bonitas e ler nas páginas dos livros palavras que ela mesma poderia ter escrito. E lembrou dos carinhos com as pontas dos dedos, e sentiu tudo num sentir calmo e inevitável.

E eu juro que naquela quinta-feira eu achei que nunca fosse deixar de te desconhecer.

E pensar que eu te deixei entrar nos meus textos
Te fiz personagem em mim

E pensar que tudo o que eu quero é que dê certo

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Basta eu

Eu quero bastar?
Quando foi que o meu gostar se deitou em você?
E que eu me conciliei com as inseguranças
Quando foi que me deixaram transbordar?

Fui inteira num só momento
Suas mãos a dançar em mim
E eu, colorida de ti

Quando eu deixo que os meus dedos escorreguem pelo teu nariz e os lábios e por toda a beleza que eu enxergo em você,
sou eu te deixando entrar

Eu sou o abismo que existe entre o amor e todo o resto

Eu posso ser nó e liberdade e poesia e exatidão
E posso ser eu
E tudo e nada mais

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Tudo o que é o amor

Eu me pus a pensar no afeto
e nos rios do amor, de um correr inconstante
Lembrei que não sei do tempo ou da exatidão
e que escrevo pelo simples querer

Eu me vi na outra margem
distraída a me acenar, meus olhos nos meus
E lembrei que tenho vivido muito em mim
e sentido as minhas verdades, um por uma

Eu vivo de acertos e dúvidas
e choro pelas pessoas
Choro por tudo o que falta
tudo o que eu não posso dar

E me consome a ignorância do amor
a me duvidar por inteiro

Minhas mãos foram dança
E eu inteira a me colorir
Vestida de leveza e de mim
E então tudo se esclarece.
Que alívio: o amor pode ser o que eu quiser.